MELÃO CASCA DE CARVALHO

Em Alfandega da Fé, habituei-me desde miúdo a apreciar fruta fresca, a maior parte das vezes apanhada da árvore momentos antes e sempre dependente do que havia na época. E por isso mesmo a fruta atingia a sua melhor qualidade, pois era produzida com naturalidade, dependendo apenas do clima, mais ou menos chuva, mais ou menos calor, ou seja, da natureza. A fruta mais conhecida lá da terra é a cereja, deste fruto como quilos e quilos na sua época, desde o fim de Maio até ao início de Julho. Mas há maçãs, peras, pêssegos, ameixas, laranjas, figos, morangos, uvas e muitas mais, que se vão apreciando durante o ano. Mas ali perto de Alfandega da Fé está o vale da Vilariça, que vai até à foz do rio Sabor, quando este encontra o Douro. Pois este vale é bem conhecido na região e junto de quem conhece bem a região, por produzir legumes e frutas de enorme qualidade, por vezes até de dimensões fora do vulgar. E é aí que ainda hoje se encontram, nesta época, os melões casca de carvalho, que por vezes nos levam ao céu. Desde miúdo que também os aprecio, embora num espaço de tempo bastante curto. Desde que vim para o Porto, nem sempre vou lá acima durante esta época do ano e cedo comecei a perguntar onde poderia encontrar este tipo de melão cá por baixo. Descobri então que as regiões de Santo Tirso, Paredes e Penafiel produzem estes melões, que conseguem por vezes ser excelentes. Sejam pequenos ou de grande dimensão (por vezes pesando mais de 5kgs!), o que é mais importante é o seu estado de amadurecimento, muito difícil de determinar, mesmo para os mais experientes. E o melão casca de carvalho tem de estar mesmo bem maduro para ser apreciado. Diz o povo que é quando lhe metemos a faca e ele bufa!! A sua polpa tem que estar quase translúcida, muito madura, com aquele toque apimentado na língua, mas mesmo no limite, pois mais um dia e pode estar passado e já não se consegue comer. Mas quando está no ponto, meus amigos, ligeiramente refrescado, é de comer de joelhos e esperar que o seguinte seja pelo menos igual…

Texto e fotografia de Marco Gomes

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