O PEIXE FRESCO DO MAR DE ANGEIRAS

Um dos locais onde costumo ir com alguma frequência mal começa o bom tempo é o mercado de Angeiras, sobretudo por causa do peixe fresco e de algum marisco. Fica um pouco a norte de Matosinhos e ali ainda funciona uma pequena lota, hoje já quase uma raridade. Os barcos, quando vêm do mar, são puxados por um tractor, que os trás ate cá acima. Depois é tirar de lá de dentro as redes e armadilhas diversas, para vário tipos de pesca, e o pescado do dia, que vai directamente para a lota, mesmo ali ao lado. Então inicia-se aquela cantilena que só as gentes do mar entendem, e quem dá mais leva o peixe para a sua banca do mercado, ponto para vender aos clientes. E lá saem os berros estridentes; “Bibinha!!”

Mas a razão principal é a quantidade e qualidade do peixe e marisco que ali ainda se encontra. Muito por causa daquela costa rochosa, com os penedos riquíssimos em mexilhões, lapas e percebas, a que se juntam as algas abundantes a criar um ecossistema muito próprio. O peixe de Angeiras já era famoso no tempo da ocupação romana, pois há uns anos foram descobertas na praia de Angeiras, salgadeiras romanas, onde certamente eles salgavam as sardinhas que havia em abundância. Hoje a praia é muito popular para quem quer apanhar sol e dar uns mergulhos num mar de águas muito limpas, mas as sardinhas continuam a ser abundantes e muito procuradas. De tal maneira que nos últimos anos foram abrindo vários restaurantes mesmo ao pé da lota, onde o peixe não pode ser mais fresco. Muito recentemente lá fui uma vez mais até Angeiras e deliciei-me com o espectáculo das bancas do mercado repletas dos mais variados peixes, a começar pelo peixe miúdo: sardinha, carapauzinho, petinga, marmotinha, faneca. Há belíssimos linguados da pedra, há raia e há patelinhos, que são umas raias mais pequenas mas mais altas, que dão umas postas enormes, para fritar, estufar ou cozer.

O polvo da pedra, a maior parte das vezes ainda chega ao mercado vivo, assim como alguns outros peixes. Também vivinho é o marisco que vai aparecendo, liderado pelas percebas e o camarão da costa, sempre a saltar. Mas também há santolas, lavagantes da costa, santiaguinhos e mesmo ouriços do mar, embora em pequena quantidade. Desta vez passei os olhos pelas sardinha tesinhas que dava gosto, pelas pescadas acabadas de chegar, por um belo congro de carne branquinha e pelos rascassos alaranjados. Mas a minha escolha recaiu num belo robalo com mais de três quilos, já a imaginá-lo pousado na brasa a crepitar, lá em casa. Como já era tarde para as percebas e o camarão está no defeso, ainda trouxe umas belas amêijoas para preparar à Bulhão Pato, carregadinhas de alho, louro, azeite do melhor (da minha produção), coentros e limão.

No primeiro piso do mercado já encontrei tomate coração de boi, alfaces tenrinhas e pepinos saborosos, que deram uma óptima salada, com cebola e o tal azeite da minha terra, para mim não existe melhor.

Depois de trabalhado na grelha, o robalo juntou-se a umas batatas assadas no forno, mais um pouco de azeite e estávamos quase no céu!

Quando tiver tempo, lá volto ao mercado de Angeiras… Se puderem visitem também e deliciem-se com o melhor peixe e marisco que o mar do norte nos dá.

Texto de Marco Gomes e fotografias de Teresa Rebelo.

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